Homem-Aranha: De Volta ao Lar

 Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Quando a Marvel finalmente anunciou que, após uma cuidadosa negociação com a Sony, traria o Homem-Aranha ao mesmo universo de seus outros heróis, a internet veio abaixo. Além do apelo dos fãs — que anteriormente geraram os mais diversos e criativos memes sobre o motivo do amigão da vizinhança não ser chamado para a equipe —, havia a grande dúvida: após duas tentativas de levar o herói ao cinema, o personagem finalmente ganharia sua versão definitiva nas telonas?

Agora inserido em um contexto super-heroico mais próximo aos quadrinhos, onde existem outros heróis — e por sua vez, outras ameaças – e focando mais em um Peter Parker que ainda não encontrou seu lugar, Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Spider-Man: Homecoming) chega brindando o espectador com coisas não exploradas pelos filmes anteriores, ao passo que traz elementos já utilizados de formas diferentes, permitindo-se prestar homenagem tanto à amada trilogia de Sam Raimi quanto à controversa versão de Marc Webb.

Na trama, dois meses após os eventos de Capitão América: Guerra Civil, acompanhamos Peter Parker (Tom Holland) na tentativa de equilibrar sua persona heroica com sua vida no colégio, enquanto tenta mostrar para Tony Stark (Robert Downey Jr.) todo seu potencial, mas ao passo que também precisa lidar com a aparição de uma nova ameaça. O diretor, Jon Watts, foi escolhido pela Marvel para comandar a aventura devido seu trabalho com Cop Car, por este mesmo filme entregar aquilo que o estúdio procurava para aplicar aqui: um clima leve, semelhante as comedias adolescentes oitentistas de John Hughes (com direito à referencias bem claras). E o estúdio novamente mostra que sabe escolher seus realizadores.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar

O grande acerto do filme é o lado humano e adolescente de Peter Parker, interpretado com maestria por Holland. O ator consegue demonstrar toda a insegurança, ansiedade e dificuldade pelas quais o adolescente passa em sua jornada. Seu Peter Parker passa grande parte do tempo na escola, com divertidas cenas e que funcionam organicamente com a trama. E quando migra para o lado heroico, o ator demonstra segurança e uma personalidade próxima dos quadrinhos, ainda que se mostre menos “piadista” do que em sua aparição anterior, além de mais impulsivo e descuidado do que o herói deveria ser.

É também apoiando-se no lado heroico que a obra faz uma boa construção ao impor o peso das responsabilidades que o garoto possui, durante o desenrolar do primeiro ato. Com uma saída eficaz — já que não temos aqui sua história de origem com o fatídico momento envolvendo tio Ben —, o roteiro utiliza a presença de Stark não apenas como figura paterna, mas também necessária para ressaltar o peso de ser um herói. E felizmente, Downey Jr. e seu personagem aparecem na medida certa, permitindo que a obra mantenha os holofotes onde devem ficar: no cabeça-de-teia que o público ama e quer ver.

Além da dupla, temos Jacob Batalon como Ned Leeds, o melhor amigo de Parker que rouba a cena a cada aparição, sendo uma das melhores coisas do filme. Já Michael Keaton está impecável ao dar vida ao Abutre, vilão que nos quadrinhos é um tanto “genérico” comparada à galeria de antagonistas do herói, mas que graças ao trabalho do ator veterano, ganha contornos satisfatórios e verdadeiramente assustadores. Além disso, a mescla do contexto de sua origem com a mitologia já pré-estabelecida do universo compartilhado não apenas funciona como permite certas releituras bastante interessantes para o vilão.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar

O controle criativo da Marvel faz com que Homem-Aranha: De Volta ao Lar se beneficie muito bem, permitindo que a nova versão do herói ganhe as telas com detalhes quase imperceptíveis, como os fios de teias deixados pelo cenário conforme o personagem se locomove por aí. E embora a ameaça funcione bem por ser mais contida, a obra possui certos excessos — como a inteligência artificial inserida no traje — aqui e ali. A falta de experiência de Watts também pesa em alguns momentos, mostrando-se pouco inventiva, principalmente quando comparada aos diretores que trabalharam com o herói anteriormente, que criavam toda uma atmosfera diferenciada para o personagem.

Ainda que tenha pequenos problemas, Homem-Aranha: De Volta ao Lar deve agradar aos mais novos e também aos mais velhos fãs do aracnídeo. Com referências certeiras — seja aos filmes anteriores, à clássicos oitentistas ou retiradas diretamente dos quadrinhos —, além de uma ótima trilha sonora e um elenco que esbanja carisma, a sensação que permanece é a de que o herói realmente está em casa. E ele não poderia estar em um lugar melhor.

Crítica originalmente publicada em blog pessoal, revisada e expandida para a republicação.

Avaliação: 4 de 5.

Adam William

"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", mas curte o termo "Filmmelier". Sonha em crescer e ser o Homem-Aranha um dia. Acredita que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, Sonserino e assíduo visitante da Terra Média.

Leia também