007 Contra o Homem da Pistola de Ouro

 007 Contra o Homem da Pistola de Ouro

Roger Moore não é o pior Bond pra mim, mas passa longe de ser o melhor. O enxergo como um ótimo argumento para apontar que beleza e charme são diferentes, principalmente por Moore ser um homem loiro de olhos claros, caucasiano e magro, que embora se encaixe em um padrão de beleza bastante universal, não consiga ter um pingo de charme ao papel.

Não ajuda, por sua vez, que os roteiros vividos pelo personagem sejam carregados de certos exageros. Por exemplo, já que o ator atende a este padrão de beleza, me incomoda um pouco que sua estreia seja logo em na obra em que temos antagonistas negros e ligados à cultura africana. Já aqui em 007 contra o Homem com a Pistola de Ouro (The Man with the Golden Gun), o traço que mais me chamou atenção foi a misoginia atrelada à ele. Ora, não é novidade que Bond seja sexista, mas isso é acentuado de uma forma bastante negativa aqui, onde uma das personagens femininas chega a apanhar fisicamente do protagonista, e a outra é retratada como uma ajudante atrapalhada, no famoso clichê da “loira burra”.

007 Contra o Homem da Pistola de Ouro

Tudo bem que estamos falando de uma obra de quase 50 anos atrás, mas ainda assim são traços que envelhecem mal e, neste caso específico, acentuam as falhas de Moore no papel. Se Sean Connery não era um homem tão “bonito”, seu charme, que encantava as mulheres em questão de segundos, nunca foi algo questionável. Enquanto Moore , por melhor que seja, só ressalta a impressão de que a franquia, à esta altura, resume-se a autoparodiar seus antecessores. Este sentimento acaba sendo agravado por alguns aspectos contidos em The Man with the Golden Gun, já que há uma clara ruptura de tom, deixando para trás a atmosfera de espionagem e optando por um viés muito mais caricato, que permeia diversos aspectos da narrativa, como na inserção de um alívio cômico que em nada agrega à trama, mas tem um tempo de tela bastante considerável.

No mais, O Homem com a Pistola de Ouro sofre do mesmo mal que alguns que alguns filmes da franquia sofreram antes — ou depois — dele: o estabelecimento de sua ameaça. Christopher Lee é ameaçador o suficiente por si só, mas a forma como se dá o conflito final é um tanto decepcionante, pela sequência diminuir a sensação de ameaça do personagem, justamente quando deveria frisá-la. Da mesma forma, os minutos finais são tão previsíveis — a esta altura, o tipo de encerramento mostrado aqui já é uma tradição — quanto cômicos, e até poderiam ser engraçados, não fossem uma contemplação do senso de ridículo que tomou à obra.

Assim, 007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro acaba por ser uma montanha-russa de altos e baixos, que diverte o espectador menos purista, mas deixa certo amargor ao seu final. Faltam-lhe aspectos que o tornem um filme marcante — para o bem —, já que nem mesmo a trilha sonora funciona aqui, além de contar com excessos que parecem estar ali apenas para desviar atenção da narrativa, na tentativa — falha — de que o espectador não note problemas claros na produção. Resta torcer para que a franquia não tarde à retomar a qualidade de outrora. E mantê-la por mais que um filme desta vez.

Avaliação: 3 de 5.

Adam William

"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", mas curte o termo "Filmmelier". Sonha em crescer e ser o Homem-Aranha um dia. Acredita que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, Sonserino e assíduo visitante da Terra Média.

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