007 Contra o Foguete da Morte

 007 Contra o Foguete da Morte

É engraçado quando as pessoas apontam, em pleno 2021, sobre a franquia Velozes e Furiosos desandar. “Começou com corrida de rua e daqui a pouco estarão indo de carro pro espaço” é uma piada comum sobre a franquia. O irônico é James Bond ter feito isso primeiro, não apenas indo ao espaço como fugindo totalmente dos eixos da franquia.

O que começa com um espião britânico resolvendo crises internacionais, chega ao décimo-primeiro capítulo da franquia enviando seu protagonista ao espaço. Tudo bem que já é a quarta vez de Roger Moore no papel, então já estamos um tanto acostumados com o tom cômico assumido pela franquia à esta altura, mas mesmo assim destoa muito das aventuras anteriores do personagem. Se a fase do ator já é marcada pela galhofa desde sua estreia, 007 Contra o Foguete da Morte (Moonraker) só não incomoda mais por não se levar a sério em nenhum momento, o que já fica explícito em sua sequência inicial, que é bastante divertida de assistir.

007 Contra o Foguete da Morte

Lewis Gilbert, que já havia acertado a mão muito bem em O Espião que me Amava no que tange à comicidade da obra, volta a fazê-lo aqui, ainda que permitindo-se exagerar pontualmente. Dado todo o aspecto do terceiro ato, tais exageros pontuais passam batidos, já que é o clímax do filme que realmente sai de todo e qualquer escopo visto antes para o personagem, além de acentuar outros problemas da obra, como o ritmo empregado: 007 Contra o Foguete da Morte é o Bond mais chato desde 007 a Serviço Secreto de Sua Majestade, sendo que o sexto filme da franquia ainda tinha o adendo de ser o primeiro sem Connery, o que lhe acentuava todos os problemas.

Aliás, falando do intérprete do Bond, é um fato de que Moore tem um sério problema de falta de personalidade desde sua entrada na franquia. Como já havia apontado, sua falta de charme é um grande problema e, se em O Espião que me Amava o ator já conseguia se sair melhor, ainda sumia diante de sua companheira de cena. Felizmente, aqui temos um Roger Moore que parece estar encontrando o tom certo de sua versão, dando vida a um Bond mais carismático e engraçadinho — mas não de uma forma insuportável como no anterior — e um pouco mais à vontade como o espião.

Já sua companheira de cena, a dra. Holly Goodhead (Lois Chiles) destaca-se unicamente por ser mais que um par romântico, pois infelizmente não tem muita presença de cena. Saudades de Barbara Bach e sua major Anya Amasova. Vale apontar, entretanto, a forma que a franquia começa a dar sinais de reconhecer suas personagens femininas, principalmente quando a cientista se apresenta para Bond, que reage de uma forma estupidamente surpreendente. Este é “apenas” um daqueles momentos sexistas da franquia, que envelheceram mal, mas representam bem a época em que o filme se passa.

007 Contra o Foguete da Morte

Problema recorrente que volta a se repetir aqui é a falta de um vilão de peso para Bond. Se um herói é apenas tão bom quanto seu vilão, Roger Moore não se deu bem nessa, principalmente aqui que enfrenta um dos mais insípidos antagonistas, Hugo Drax (Michael Lonsdale). Com ares de vilão de quadrinhos e complexo de Deus, o vilão nunca impõe verdadeiramente sua ameaça, o que resulta em um filme sem qualquer tom de urgência, acentuando ainda mais a já citada falta de ritmo. Felizmente, a obra traz de volta o capanga Jaws (Richard Kiel), ainda mais carismático que no filme anterior, o vilão com dentes de metal e coração de ouro protagoniza os melhores momentos do filme. É Jaws que impede que o tom cômico seja 100% problemático, justamente por seus momentos — que seriam impossíveis em uma obra que se levasse completamente a sério — serem tão engraçados de se assistir.

007 Contra o Foguete da Morte chega perto, muito perto, de ser o pior Bond até aqui. O personagem fecha os anos 70 com uma obra cansativa, pouco instigante e cujo único traço marcante é a presença de um antagonista secundário, que sequer se destaca por sua ameaça, mas sim pela sua comicidade. É um sinal de alerta, pois transitando entre altos e baixos, Bond deixa cada vez mais para trás seu auge, quando protagonizava histórias cheias de tensão, com vilões ameaçadores, mulheres fatais e um dos mais charmosos protagonistas que o cinema já viu.

Avaliação: 2.5 de 5.

Adam William

"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", mas curte o termo "Filmmelier". Sonha em crescer e ser o Homem-Aranha um dia. Acredita que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, Sonserino e assíduo visitante da Terra Média.

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